Cenário imponente e vertical da Suíça, o Valais representa a força bruta dos Alpes.
População
Valais tem uma população de aproximadamente 365.000 habitantes. Diferente de Vaud, que é densamente urbanizado, a população de Valais está espalhada ao longo de um imenso vale central e de pequenas vilas empoleiradas nas montanhas. O povo valaisano é historicamente conhecido por seu espírito resiliente, independente e profundamente apegado à terra — uma mentalidade moldada por séculos de isolamento e sobrevivência em condições alpinas rigorosas.
Geografia
A geografia de Valais é definida por um único elemento: o Rio Ródano (Rhône). O cantão é, essencialmente, um gigantesco vale em formato de “L” esculpido por este rio, cercado em ambos os lados pelas maiores barreiras de montanha da Europa.
- Os Gigantes Alpinos: Ao sul, ficam os Alpes Peninos, que abrigam a maior concentração de picos acima de 4.000 metros do continente, incluindo o lendário Matterhorn (Monte Cervino).
- O Maior Glaciar da Europa: É em Valais que fica o espetacular Glaciar de Aletsch, uma gigantesca autoestrada de gelo com mais de 20 km de extensão, classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO.
- O Microclima Seco: Curiosamente, por estar cercado de montanhas que bloqueiam as nuvens de chuva, o vale central de Valais é a região mais seca e ensolarada de toda a Suíça, o que permite uma agricultura surpreendentemente mediterrânea no fundo do vale.
Religião
Valais é o cantão mais profundamente católico da Suíça (cerca de 70% da população). O isolamento geográfico impediu que as ideias da Reforma Protestante penetrassem no vale durante o século XVI. A identidade católica é tão forte que o cantão manteve feriados religiosos rígidos que outros cantões já aboliram. Cruzes de madeira no topo de picos de montanhas, pequenas capelas rurais em trilhas isoladas e mosteiros históricos (como o do Passo do Grande São Bernardo) são marcas registradas da paisagem e da alma valaisana.
Curiosidades sobre o Valais
A Terra do Matterhorn (e da Toblerone): O Matterhorn, a montanha mais fotografada do mundo e que inspirou o icônico formato do chocolate Toblerone, fica na vila valaisana de Zermatt. Detalhe: em Zermatt, carros a combustão são proibidos desde sempre para proteger o ar alpino; você só se move a pé, de charrete ou em pequenos carrinhos elétricos.
O Berço do Cão São Bernardo: Foi no topo do Col du Grand-Saint-Bernard (uma passagem de montanha em Valais que liga a Suíça à Itália) que os monges agostinianos criaram a raça de cães São Bernardo no século XVII, originalmente usados para resgatar viajantes perdidos na neve.
O Berço Oficial da Raclette: O prato nacional suíço de queijo derretido raspado direto no prato nasceu aqui. Os pastores valaisanos costumavam colocar metade de uma roda de queijo perto da fogueira para derreter enquanto acampavam nas montanhas. A Raclette du Valais AOP é protegida por lei e considerada a mais autêntica do país.
As Vacas Lutadoras (Événement des Reines): Valais é famoso pelas vacas da raça Hérens, que são naturalmente pretas, robustas e muito territoriais. Na primavera, os locais organizam “combates de rainhas”, onde as vacas lutam chifre contra chifre de forma natural para definir quem será a líder do rebanho na subida para as pastagens alpinas. O evento atrai milhares de espectadores e é uma festa popular gigantesca.
Diversidade e Fronteiras Linguísticas em Valais
Se Fribourg gerou uma fusão urbana mansa na fronteira, Valais resolveu a questão linguística criando uma linha de corte geográfica brutal no mapa.
O Estatuto Oficial: O Cantão Partido ao Meio
Valais é oficialmente um cantão bilíngue (cerca de 62% falam francês e 28% falam alemão). No entanto, o bilinguismo aqui é estritamente territorial. O cantão é dividido administrativamente em duas regiões muito claras:
- Baixo Valais (Bas-Valais): A porção ocidental (mais próxima do Lago Léman e da fronteira com a França), onde as cidades como Sion e Martigny são 100% francófonas.
- Alto Valais (Oberwallis): A porção oriental (mais próxima das nascentes do Ródano e da Suíça central), onde cidades como Brig e Visp são 100% germanófonas.
A Fronteira Física: O Rio Raspille
Em Valais, o Röstigraben tem nome, sobrenome e endereço: é o Rio Raspille, um pequeno riacho localizado na cidade de Sierre (Siders, em alemão).
Esse riacho divide a cidade e o cantão de forma cirúrgica. A oeste do riacho, você compra pão dizendo “Un croissant, s’il vous plaît”. Cruzando a ponte para o leste do mesmo riacho, o idioma oficial vira o alemão e a placa muda para Bäckerei. Não há zona cinzenta ou bairros de fusão como o Bolze de Fribourg; a divisão é geográfica e aceita com total naturalidade por ambos os lados.
O Comportamento Político e Social
Ao contrário de Fribourg, onde as línguas se misturam nas salas de aula, no parlamento de Valais os deputados falam em sua própria língua natal e há tradução simultânea. O Alto e o Baixo Valais operam quase como dois “minicantões” confederados sob a mesma bandeira. Há uma rivalidade cultural saudável e muitas piadas entre o lado francês (visto pelos alemães como mais relaxado e latino) e o lado alemão (visto pelos franceses como extremamente teimoso, disciplinado e de dialeto impenetrável, o Wallisertiitsch).
Quiz sobre o cantão de Valais: https://partiuroteiro.com.br/2026/07/03/quiz-cantao-de-valais/





